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A Dança Entre Funcionalismo e Serviço Social: Uma História Entrelaçada


Sociólogo Émile Durkheim (1858 - 1917)

O funcionalismo, corrente sociológica nascida no seio do positivismo, tece uma relação complexa e histórica com o Serviço Social. Essa relação, marcada por momentos de sintonia e outros de discordância, revela-se como uma dança entre duas entidades em constante transformação.

No início do século XX, o funcionalismo, com seu foco na ordem e na coesão social, encontra no nascente Serviço Social um terreno fértil para suas ideias. As primeiras profissionais da área, em sua maioria mulheres de classe média alta, buscavam soluções para os "problemas sociais" da época, como a pobreza, a criminalidade e a desorganização familiar.

Nesse contexto, o funcionalismo oferecia um arcabouço teórico que justificava a intervenção profissional na vida das classes menos favorecidas. A ideia de que a sociedade era um organismo complexo, com diferentes partes interdependentes, legitimava a atuação do Serviço Social na promoção da adaptação individual e na manutenção da ordem social.

Ao longo das décadas, o Serviço Social brasileiro passou por diversas rupturas e reformulações. A partir da década de 1960, com o contexto de efervescência política e social, emerge uma crítica contundente ao funcionalismo.

A perspectiva marxista, por exemplo, questionava a neutralidade científica da corrente e seu papel na reprodução das desigualdades sociais.

Essa crítica impulsionou a busca por novas bases teórico-metodológicas para o Serviço Social. A partir da década de 1970, o profissional da área passa a se distanciar da visão funcionalista tradicional, assumindo uma postura mais crítica e questionadora da realidade social.

No entanto, o funcionalismo não desaparece completamente do cenário do Serviço Social.

Ele se reconfigura e se adapta às novas demandas da sociedade, incorporando elementos de outras correntes de pensamento, como a fenomenologia e o materialismo dialético.

Atualmente, o funcionalismo não se apresenta como uma hegemonia no Serviço Social, mas sim como uma das diversas perspectivas que contribuem para a formação e atuação profissional. A relação entre funcionalismo e Serviço Social é dinâmica e multifacetada, marcada por convergências e divergências.

Ao transcender a dicotomia entre "aceitação" e "rejeição", o Serviço Social se aproxima de uma postura crítica e reflexiva, capaz de analisar a realidade social de forma complexa e multifacetada. Através dessa postura, o profissional da área estará mais apto a intervir na sociedade de forma propositiva e transformadora, construindo um futuro mais justo e igualitário para todos.

O que defende o funcionalismo e suas principais ideias:

  • Visão da sociedade como um sistema: O funcionalismo vê a sociedade como um organismo complexo, composto por diferentes partes interdependentes que funcionam juntas para manter a ordem e a coesão social.

  • Ênfase na ordem e na coesão social: Para os funcionalistas, a ordem social é fundamental para o bom funcionamento da sociedade. As normas e valores sociais são vistos como mecanismos que contribuem para a estabilidade social.

  • Importância das funções sociais: Cada elemento da sociedade, desde as instituições até os indivíduos, possui uma função específica que contribui para o funcionamento do todo.

  • Visão da mudança social como gradual e evolutiva: Os funcionalistas acreditam que a mudança social deve ser gradual e evolutiva, a fim de evitar rupturas na ordem social.

  • Neutralidade científica: O funcionalismo tradicional defende a neutralidade científica do conhecimento sociológico. Os sociólogos, segundo essa visão, devem se ater à descrição e análise da realidade social, sem se envolver em juízos de valor.

Críticas ao funcionalismo:

  • Conservadorismo: O funcionalismo tem sido criticado por sua visão conservadora da sociedade, que tende a defender o status quo e minimizar as desigualdades sociais.

  • Ignorância do conflito: O funcionalismo tradicional ignora a existência do conflito social, focando apenas na ordem e na coesão social.

  • Neutralidade científica: A crença na neutralidade científica tem sido questionada por correntes de pensamento que defendem a natureza engajada do conhecimento.

Conclusão:

O funcionalismo, apesar das críticas, continua sendo uma importante corrente de pensamento na sociologia. Sua influência no Serviço Social se deu principalmente no início da profissão, mas ainda hoje seus princípios podem ser encontrados na atuação de alguns profissionais.


 

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